Locadora não é responsável por ato ilícito realizado por locatário com veículo alugado
22 de dezembro de 2020
Perda inestimável
22 de dezembro de 2020Forte concorrência das detentoras de veículos no mercado de mobilidade brasileiro pode ser um risco para as locadoras tradicionais
A cada dia surgem novas soluções em mobilidade. Ao que tudo indica o carro por assinatura é um movimento que veio para ficar. Chegou ao mercado há alguns anos, com a Porto Seguro (Carro Fácil Porto Seguro), que foi acompanhada pela Localiza (Localiza Meoo), Unidas (Unidas Livre) e pela Movida (Movida Mensal), cada qual com sua particularidade. Mais recentemente entraram no mercado as montadoras e concessionárias, que passaram a enxergar a locação de veículos para pessoa física por longo prazo como um novo nicho de atuação.
Várias delas começaram a ofertar serviços de mobilidade, concorrendo com as locadoras de automóveis. A Toyota, por exemplo, está apostando pesado na empresa Kinto, já presente em 29 países, incluindo o Brasil. O principal serviço é o Kinto Share, plataforma de aluguel de carros Toyota e Lexus por horas ou dias. Já o Kinto One fornece frotas para empresas. A nova modalidade de carros por assinatura é um grande passo para a montadora na transição de uma fabricante de veículos para uma prestadora de serviços de mobilidade. Na mesma linha estão seguindo outras fabricantes.
A Caoa-Chery, que vem expandindo o fornecimento de veículos para locadoras como forma de manter as vendas durante a pandemia – especialmente em Goiás –, lançou no início do ano sua própria locadora, a Caoa Rent a Car. A empresa é responsável por locar carros da própria montadora, como também das outras marcas que representa no Brasil – Ford, Hyundai e Subaru.
A Volkswagen iniciou em novembro seu programa de locação para pessoas físicas, inicialmente com dois modelos, o T-Cross e Tiguan, mas a ideia é ampliar o portfólio já a partir do ano que vem, até chegar a toda a linha de veículos da fabricante.
A Associação Brasileira de Concessionárias Fiat (Abracaf) é o mais recente player a anunciar seu ingresso no mundo dos carros por assinatura para o cliente final, visando os consumidores que preferem alugar em vez de comprar. O anúncio do novo modelo de negócios foi feito pelo presidente da Abracaf, José Carlos Dourado, em uma live transmitida pelo Youtube no dia 13 de novembro. O sistema proposto é que cada concessionário seja dono de sua própria locadora, e as operações devem iniciar em fevereiro de 2021.
A chegada da forte concorrência das montadoras e concessionárias ao mercado de mobilidade brasileiro representa um marco no setor automotivo, e pode ser um risco para as locadoras tradicionais. Por outro lado, como as locadoras bem sabem, apesar das atividades de locação e concessionárias tratarem de veículos são bastante diferentes. Diferente das concessionárias e montadoras, que finalizam a operação com a entrega do veículo para o novo proprietário, a locação não trata simplesmente de entregar um veículo para o cliente hoje e recebe-lo de volta daqui 24 ou 36 meses. São diversos problemas que aparecem pelo caminho, desde a inadimplência, as multas de trânsito, a apropriação indébita, o furto, roubo, o mau uso, e acidentes com terceiros sendo alguns deles de grande monta com problemas enormes sob o guarda-chuva da Súmula STF 492. É esperar para ver como essas debutantes irão se sair nesse terreno arenoso.



